O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise provocada pela intervenção do Ueno Bank e ao avanço de um processo de julgamento político no Congresso. A decisão foi anunciada enquanto deputados discutiam a acusação contra o mandatário, que enfrenta pressão política após a crise atingir uma das maiores instituições financeiras digitais do país.
Pouco depois do anúncio da renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do julgamento político contra Peña. Os 78 parlamentares presentes votaram a favor da acusação. O caso agora segue para o Senado, responsável por decidir se o processo terá continuidade.
A renúncia abre caminho para que o vice-presidente Pedro Alliana assuma o comando do país, mas a formalização da sucessão depende dos procedimentos constitucionais no Congresso. Alliana também foi alvo de um pedido de julgamento político, mas a Câmara rejeitou a acusação por 48 votos a 30, arquivando o processo contra ele.
Crise do Ueno Bank colocou governo sob pressão
O estopim da crise foi a situação financeira do Ueno Bank. Em 3 de novembro, o Banco Central do Paraguai anunciou o início de um procedimento de resolução da instituição, depois de identificar que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela legislação.
Na prática, isso significa que o banco apresentava uma situação patrimonial considerada grave, com dificuldades para cumprir os requisitos financeiros necessários à continuidade de suas atividades. A medida suspendeu as operações da instituição e deu início a um processo conduzido pelas autoridades financeiras para administrar a crise e proteger os depositantes.
O impacto é expressivo: o Ueno Bank atendia aproximadamente 2,9 milhões de clientes, em um país com cerca de 6,1 milhões de habitantes. A restrição de acesso às contas provocou preocupação entre correntistas e aumentou a pressão sobre o governo.
Ligação de Peña com o grupo financeiro ampliou a crise política
A situação também ganhou dimensão política por causa da relação anterior de Santiago Peña com o grupo empresarial ligado ao banco. O presidente teve participação acionária na Ueno Holding até março de 2025, o que levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.
Outro ponto de pressão envolve a direção do Banco Central. Carlos Carvallo, que presidia a autoridade monetária desde 2023 e havia comandado anteriormente o Ueno Bank, deixou o cargo em meio à crise.
As investigações também avançaram sobre a gestão da instituição financeira. As autoridades apuram suspeitas relacionadas a operações de crédito e empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador. O caso levou à adoção de medidas contra dirigentes e à ampliação das apurações sobre a administração do banco.
O que acontece agora no Paraguai?
Com a renúncia de Peña e a aprovação da acusação pela Câmara, o Senado passa a ter papel decisivo nos próximos passos. A Casa deverá analisar o processo de julgamento político e os procedimentos relacionados à saída do presidente.
Enquanto isso, Pedro Alliana fica no centro da sucessão presidencial. O pedido de julgamento político contra o vice foi arquivado pela Câmara, permitindo que ele avance na linha sucessória.
A crise representa um dos momentos mais delicados do atual governo paraguaio. Além da instabilidade política, o país precisa lidar com os efeitos da intervenção bancária e com a recuperação dos recursos dos clientes afetados.

