O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, foi questionado sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, durante entrevista à TV Globo na sexta-feira (16). Na conversa com a jornalista Renata Lo Prete, ele defendeu o financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao ser perguntado sobre a relação com Vorcaro, Flávio afirmou que não vê irregularidades na negociação e comparou o caso à saída de Frederic Kachar, então diretor do Grupo Globo, após a divulgação de conversas entre ele e o ex-banqueiro.
“Eu acho que não, mas ele feriu a ética, o código de ética da empresa e ele sofreu as consequências. Então não, na minha parte não tem nada de errado”, declarou o senador.
Kachar foi desligado da empresa após a repercussão das conversas. Flávio argumentou que, se a relação do executivo com Vorcaro justificou consequências internas, isso não significaria que seu próprio contato com o banqueiro tenha sido irregular.
RENATA LO PRETE FAZ DISTINÇÃO ENTRE PATROCÍNIOS E FINANCIAMENTO DE FILMES
Durante a discussão, a jornalista interrompeu o candidato para esclarecer que a compra de espaços publicitários e o patrocínio de eventos são operações diferentes do financiamento de uma produção cinematográfica.
Renata explicou que os patrocínios na programação da Globo seguem regras comerciais e, segundo a emissora, não interferem na linha editorial nem na independência do jornalismo.
Flávio contestou a distinção e insistiu na comparação entre as situações. A apresentadora, então, reforçou que os dois casos eram diferentes e retomou a entrevista com uma pergunta sobre a escolha de Vorcaro como possível investidor para Dark Horse.
O senador respondeu que havia conversado com diferentes investidores e que Vorcaro aceitou participar do projeto em um momento em que, segundo ele, não havia irregularidades conhecidas envolvendo o banqueiro.
CANDIDATO QUESTIONA SUPOSTO REPASSE A FILME SOBRE LULA
Flávio também voltou a mencionar um áudio atribuído a Vorcaro, divulgado pela revista Veja, no qual o ex-banqueiro supostamente relata ter destinado dinheiro ao documentário Lula, dirigido por Oliver Stone, e ao Instituto Lula.
Na entrevista, o candidato afirmou que a gravação comprovaria um repasse de R$ 30 milhões para a produção sobre o atual presidente. Ele comparou o episódio ao financiamento de Dark Horse e sustentou que o caso relacionado ao documentário de Lula deveria ser investigado.
Entretanto, a afirmação de que a Polícia Federal confirmou o suposto pagamento não corresponde às informações oficiais disponíveis. A PF declarou que Vorcaro não prestou depoimento com esse conteúdo nem entregou à instituição documentos que comprovassem o relato. A Procuradoria-Geral da República e a defesa do ex-banqueiro também negaram a existência de um depoimento sobre o assunto.
Além disso, uma apuração do UOL apontou que o suposto pagamento não aparece nas conversas extraídas do celular de Vorcaro nem nas três propostas de delação premiada formalizadas por sua defesa e obtidas pelo veículo. O produtor do documentário sobre Lula também negou que a obra tenha recebido financiamento do ex-banqueiro.
FLÁVIO CITA VACCARI E FAZ ACUSAÇÕES SOBRE FUNDOS DE PENSÃO
Ao tentar justificar por que considera o caso envolvendo Lula mais grave, Flávio mencionou João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, e alegou que ele teria participado de uma negociação envolvendo cerca de R$ 1 bilhão de fundos de pensão ligados à Caixa Econômica Federal, ao Banco do Brasil e à Petrobras.
O candidato afirmou que teria sido cobrada uma contrapartida de 10% sobre os recursos e classificou a suposta operação como crime. As declarações foram apresentadas por ele durante a entrevista, mas não devem ser tratadas como comprovação de que os pagamentos ou a negociação tenham ocorrido nos termos descritos.
A controvérsia envolvendo Vorcaro e o financiamento de produções audiovisuais passou a integrar a disputa eleitoral entre Flávio e Lula. No caso de Dark Horse, o candidato sustenta que o financiamento foi legal. Já sobre o documentário de Lula, ele cobra investigação com base no áudio divulgado, cuja origem e cujo conteúdo seguem cercados de questionamentos públicos.