O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não sabia que o Bolsa Família estava sem reajuste até ser informado da situação por integrantes do governo. A declaração foi feita na quinta-feira (15), durante entrevista à TV Globo, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete.
Questionado sobre o motivo de o aumento ter sido anunciado próximo ao primeiro turno das eleições, Lula disse que decidiu agir depois de descobrir que o benefício não havia sido corrigido pela inflação.
“Eu fui perguntar por que não aumentaram o Bolsa Família. Se tem espaço fiscal para aumentar, por que não aumentaram?”, declarou o presidente.
Lula afirmou que determinou o reajuste após cobrar explicações e voltou a defender que o governo tinha condições orçamentárias para financiar a medida.
“É inexplicável que, no governo do Lula, alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas. É impensável”, disse.
PRESIDENTE AFIRMA QUE VAI CORRIGIR VALORES
Durante a entrevista, Lula também declarou que pretende compensar valores que, segundo ele, não haviam sido corrigidos anteriormente. O presidente afirmou que a situação não deve se repetir.
O reajuste anunciado em setembro de 2026 foi de aproximadamente 15%, elevando o valor mínimo mensal do Bolsa Família de R$ 600 para cerca de R$ 690. O anúncio ocorreu 17 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais.
A decisão ganhou destaque porque a proposta de Orçamento de 2027, enviada pelo governo ao Congresso Nacional em agosto, não previa a correção do benefício. Durante a entrevista, Lula negou que a decisão tenha ocorrido porque a equipe econômica identificou posteriormente novos recursos disponíveis.
LULA CITA CONTAS PÚBLICAS AO DEFENDER REAJUSTE
Na mesma resposta, o presidente mencionou a previsão de superávit primário de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) na proposta orçamentária e comparou o número ao déficit de 2,8% que afirmou ter recebido no início de seu terceiro mandato.
O superávit primário ocorre quando as receitas do governo superam as despesas, desconsiderando os juros da dívida pública.
A comparação feita por Lula, porém, exige uma ressalva: dados oficiais apontam que o Brasil registrou superávit primário em 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro. Segundo a checagem publicada pelo g1, o país teve resultado positivo de aproximadamente 0,5% do PIB naquele ano, e não o déficit de 2,8% mencionado pelo presidente.
A entrevista ocorreu durante a cobertura eleitoral do segundo turno de 2026.