O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu uma semana para que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aceite seu desafio de autorizar a abertura de sigilos bancários e telefônicos das duas famílias. A proposta foi apresentada durante o debate presidencial da Band, no domingo (18), e voltou a ser defendida por Lula nas redes sociais nesta segunda-feira (19).
Durante o confronto, Lula sugeriu que os dois candidatos autorizassem o acesso a informações financeiras e telefônicas, incluindo dados de familiares, para que eventuais irregularidades fossem examinadas pelas autoridades. O presidente afirmou que prepararia procurações para permitir a consulta aos próprios registros e aos de seus filhos, desde que Flávio aceitasse fazer o mesmo.
“Você tem uma semana para ter coragem de mostrar ao povo brasileiro se você é honesto ou não”, escreveu Lula ao retomar o desafio.
A proposta surgiu em meio à troca de acusações sobre suspeitas de corrupção. No debate, Flávio questionou o presidente sobre investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Lula, por sua vez, cobrou explicações sobre questões relacionadas ao patrimônio do senador e à compra de um imóvel.
Flávio afirmou durante o confronto que não tinha nada a esconder, mas não confirmou expressamente que aceitaria abrir os sigilos nos termos propostos por Lula. Em resposta às acusações do presidente, o senador alegou que recursos ligados ao petista estariam fora de suas contas bancárias.
O debate também teve referências ao pedido de R$ 134 milhões relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio solicitou o valor ao banqueiro Daniel Vorcaro, mas, segundo informações publicadas após o confronto, o montante integral não chegou a ser repassado. A Polícia Federal investiga a destinação dos recursos.
A abertura voluntária de informações bancárias e telefônicas, se efetivada, precisará ter seu alcance definido e não substitui a análise das autoridades sobre os dados apresentados. Até o momento das declarações divulgadas nesta segunda-feira, não havia confirmação pública de que Flávio tivesse aceitado o desafio nos termos apresentados por Lula.
A disputa em torno dos sigilos tornou-se mais um capítulo da campanha, com os dois candidatos tentando transferir ao adversário o ônus de responder às suspeitas levantadas durante o debate.