O Partido Democrata conquistou o controle das duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms. As projeções divulgadas na madrugada desta quarta-feira (4) apontaram a vitória da oposição tanto no Senado quanto na Câmara dos Representantes, encerrando a maioria republicana nas duas instituições.
O resultado representa uma derrota eleitoral para o presidente Donald Trump, que buscava preservar o apoio do Congresso para avançar com as propostas de seu governo. A mudança ocorre dois anos depois de os republicanos terem conquistado o controle de Washington nas eleições de 2024.
A votação aconteceu na terça-feira (3), mas a apuração ainda não foi concluída em todos os estados. Mesmo com algumas disputas locais pendentes, as projeções já indicam que os democratas terão maioria nas duas casas legislativas.
VITÓRIAS EM ESTADOS TRADICIONALMENTE REPUBLICANOS
Um dos aspectos mais importantes da eleição foi o desempenho democrata em regiões historicamente favoráveis aos republicanos.
No Texas, James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton e conquistou uma cadeira no Senado. A vitória encerrou uma sequência de décadas sem que um democrata fosse eleito para representar o estado na Câmara Alta do Congresso.
Na Carolina do Sul, Annie Andrews também venceu a disputa contra Darline Graham. O resultado chamou atenção porque o estado não elegia um senador democrata desde 1998.
Outras conquistas importantes ocorreram no Kansas, em Iowa, em Ohio, na Carolina do Norte e no Maine. Ao todo, os democratas conseguiram virar pelo menos sete cadeiras anteriormente ocupadas por republicanos no Senado, ampliando sua vantagem na composição da Casa.
Na Câmara dos Representantes, a oposição também conquistou dezenas de cadeiras e avançou em distritos que haviam apoiado Trump na eleição presidencial de 2024.
ECONOMIA E GUERRA CONTRA O IRÃ PESARAM NA VOTAÇÃO
A insatisfação com o governo Trump foi apontada como um dos principais fatores por trás do resultado.
O aumento do custo de vida, a preocupação com a inflação e o preço de produtos essenciais apareceram entre as principais reclamações dos eleitores. A guerra prolongada contra o Irã também contribuiu para o desgaste da administração republicana.
Pesquisas realizadas na saída dos locais de votação indicaram que a economia teve peso significativo na decisão dos americanos. Uma parcela expressiva dos entrevistados demonstrou preocupação com a situação financeira do país e insatisfação com a condução do governo.
O desgaste também apareceu nos índices de aprovação presidencial. Uma pesquisa de boca de urna divulgada pela CBS News apontou que apenas 38% dos entrevistados aprovavam o desempenho de Trump, um resultado particularmente desfavorável para um presidente em uma eleição de meio de mandato.
A oposição conseguiu transformar esse descontentamento em votos, inclusive em estados nos quais os republicanos tinham vantagem histórica.
TRUMP TENTOU MOBILIZAR ELEITORES ANTES DA VOTAÇÃO
Na reta final da campanha, Trump intensificou sua participação nas disputas e pediu que os eleitores comparecessem às urnas para manter a maioria republicana no Congresso.
Na segunda-feira (2), véspera da votação, o presidente realizou um discurso em Washington, nas proximidades do Memorial Lincoln. A aparição foi apresentada pela Casa Branca como uma mensagem final aos eleitores antes das eleições.
Trump procurou defender os resultados de sua administração e a atuação dos parlamentares republicanos. A estratégia, entretanto, não impediu que os democratas avançassem em disputas importantes.
O presidente também havia associado seu próprio governo ao resultado eleitoral, incentivando apoiadores a enxergar a votação como uma avaliação de sua gestão.
O QUE MUDA PARA TRUMP COM O CONGRESSO NAS MÃOS DOS DEMOCRATAS
A conquista das duas casas altera a relação de forças em Washington e pode dificultar a aprovação de projetos defendidos pelo presidente.
Com maioria no Senado e na Câmara, os democratas passam a controlar as presidências das comissões legislativas e ganham maior poder para definir quais propostas avançam e quais serão barradas.
A oposição também terá mais instrumentos para fiscalizar o Executivo. Entre eles estão audiências, convocações de autoridades, pedidos de documentos e investigações sobre integrantes da administração federal.
Na prática, o governo Trump terá de negociar com uma oposição que agora controla as duas casas do Congresso. Projetos que antes encontravam caminho mais fácil entre os parlamentares republicanos poderão enfrentar resistência.
Isso não significa que os democratas poderão aprovar qualquer medida sem obstáculos. Trump continua na Presidência e mantém o poder de veto sobre projetos aprovados pelo Legislativo. Para derrubar um veto presidencial, é necessária uma maioria de dois terços em cada casa, um número muito superior à maioria simples.
QUANDO A NOVA MAIORIA ASSUME
Apesar da vitória nas urnas, os novos parlamentares não assumem imediatamente. A composição eleita do Congresso começa seu mandato em 3 de janeiro de 2027.
Até lá, os republicanos continuam exercendo o controle das duas casas durante o período de transição.
A mudança, portanto, terá efeitos principalmente nos dois últimos anos do atual mandato presidencial, período em que Trump precisará lidar com um Congresso controlado pelo partido de oposição.
O resultado das midterms também abre uma nova etapa da disputa política americana, com os democratas fortalecidos para fiscalizar o governo e os republicanos obrigados a reorganizar sua estratégia depois das perdas eleitorais.

