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A polarização entre o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou contornos de crise institucional nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026. Em entrevista ao portal Metrópoles, o decano da Corte questionou os limites das sátiras contra autoridades, citando como exemplo a possibilidade de criarem bonecos de Zema “como homossexual” ou “roubando dinheiro público”, indagando se tais representações não seriam “ofensivas”.
A reação de Zema foi imediata e incisiva. Através de suas redes sociais, o pré-candidato à Presidência da República afirmou que Gilmar Mendes revelou ao Brasil seu “mais puro preconceito” ao colocar a orientação sexual no mesmo patamar de um crime de corrupção. “Você pode mandar fazer um boneco meu de homossexual, de ladrão ou do que bem entender. O que você não pode fazer é comparar homossexual com ladrão”, disparou o político mineiro em vídeo divulgado no X (antigo Twitter).
Ironia com IA e “Zema com Orgulho”
Para reforçar sua posição, Romeu Zema interagiu com uma imagem gerada por inteligência artificial que circulou nas redes sociais. Na ilustração, o ex-governador aparece segurando uma bandeira LGBTQIA+ e uma placa com a frase “Zema com orgulho”. Ele respondeu à publicação com um emoji de risada, sinalizando que não se sente ofendido pela representação citada pelo ministro e ironizando a tentativa de Gilmar de usar a homossexualidade como uma forma de “insulto hipotético”.
Políticos aliados, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), também se manifestaram, questionando se a fala do ministro não configuraria homofobia, uma vez que Gilmar Mendes utilizou o termo “homossexual” em uma analogia direta a condutas injuriosas e criminosas. O embate ocorre em um momento em que Zema tem intensificado críticas ao STF, classificando o tribunal como “incendiário” e acusando ministros de tentarem calar vozes dissidentes.
Gilmar Mendes reconhece erro e pede desculpas
Diante da forte repercussão negativa e das acusações de preconceito, o ministro Gilmar Mendes utilizou seu perfil oficial para se retratar. Na madrugada desta sexta-feira (24), o decano admitiu que a escolha do exemplo foi equivocada. “Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema. Desculpo-me pelo erro”, escreveu o magistrado.
Apesar das desculpas, Gilmar reiterou suas críticas ao que chama de “indústria de difamação” contra o Supremo Tribunal Federal, mantendo o foco no pedido de investigação contra Zema por vídeos em que o ex-governador utiliza sátiras com bonecos para criticar magistrados. O episódio, no entanto, acabou servindo como combustível para a pré-campanha de Zema, que explorou a gafe do ministro para se posicionar como uma vítima de “intocáveis de Brasília” e reforçar seu discurso em defesa da liberdade de expressão.

