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Nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, novos desdobramentos da Operação Narco Fluxo revelam a profundidade das investigações da Polícia Federal sobre o funkeiro Ryan Santana dos Santos, o Mc Ryan SP. Segundo a PF, o artista ocupava um papel central em uma organização criminosa que movimentou a cifra astronômica de 260 bilhões de reais. A operação, que cumpriu 39 mandados de prisão e 45 de busca e apreensão em diversos estados, mira um esquema de lavagem de capitais que teria ocultado lucros vindos de mais de três toneladas de cocaína.
De acordo com o delegado Marcelo Maceiras, a investigação teve início ainda em 2023, após a apreensão de um veleiro carregado com drogas. A partir daí, a polícia seguiu o rastro financeiro que conectou o tráfico internacional a figuras públicas e influenciadores digitais. O grupo utilizava empresas de produção musical e de entretenimento para misturar dinheiro ilícito com receitas legítimas de shows e publicidade, criando uma aparência de legalidade para os recursos.
Principais nomes envolvidos e o papel de cada um
A Polícia Federal detalhou que a organização contava com funções bem definidas. Mc Ryan SP é descrito como o líder e principal beneficiário econômico, utilizando sua enorme projeção pública para dar credibilidade às operações financeiras. Além dele, o cantor Mc Poze do Rodo foi preso em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro, suspeito de envolvimento com empresas ligadas à circulação de recursos de apostas e rifas digitais.
Outro nome de peso que aparece nas investigações é Raphael Sousa Oliveira, proprietário da página de fofocas Choquei. Raphael foi detido em Goiânia e é apontado como responsável por promover as apostas e zelar pela imagem dos envolvidos, recebendo altos valores pelo serviço. A rede também contava com operadores técnicos, como o contador Rodrigo de Paula Morgado e o empresário português Fernando de Sousa, ambos fundamentais na estruturação das contas e na ocultação do patrimônio.
Estratégias de blindagem patrimonial e tecnologia
Para evitar o radar das autoridades, o grupo utilizava a técnica de “smurfing”, que consiste em pulverizar grandes quantias em centenas de transferências fracionadas de pequeno valor. Além disso, o uso de criptoativos, especialmente a moeda digital Tether, era uma prática comum para enviar dinheiro ao exterior e realizar evasão de divisas. A PF também identificou que muitos dos veículos de luxo e imóveis de alto padrão estavam em nome de laranjas ou empresas de fachada.
A Justiça Federal autorizou o bloqueio de cerca de 1,6 bilhão de reais e a apreensão de veículos avaliados em mais de 20 milhões de reais. Entre os bens confiscados estão jatos, iates e carros importados que pertenciam aos líderes do esquema. A investigação aponta que a organização utilizava até mesmo o backup do iCloud de um dos contadores para mapear toda a movimentação financeira ao longo dos últimos dois anos.
Posicionamento das defesas e continuidade do caso
Até o momento, a defesa de Mc Ryan SP afirma que ainda não teve acesso total aos autos do processo, que corre sob sigilo, mas nega qualquer vínculo do artista com o tráfico de drogas. Os advogados de Mc Poze do Rodo e de Raphael Sousa Oliveira também informaram que se manifestarão perante a Justiça assim que tomarem conhecimento detalhado das acusações, sustentando a inocência de seus clientes.
O delegado Maceiras ressaltou que as investigações continuam com o objetivo de identificar o destino final de toda a fortuna movimentada. O Portal F7 segue acompanhando cada passo da Operação Narco Fluxo para trazer atualizações em tempo real sobre este caso que é considerado um dos maiores registros de lavagem de dinheiro da história recente do país.