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A justiça de Goiás determinou a manutenção da prisão de Raphael Sousa Oliveira, administrador da página Choquei, após audiência de custódia realizada no final desta semana. Na última sexta-feira, 17 de abril de 2026, o influenciador foi transferido da sede da Polícia Federal para o Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, em Aparecida de Goiânia. A decisão judicial barra a tentativa da defesa de conseguir a liberdade provisória, estabelecendo que a custódia é necessária para o prosseguimento das investigações.
O magistrado responsável pelo caso fundamentou a decisão com base no risco que a liberdade do empresário oferecia à instrução criminal. Como as acusações envolvem crimes digitais, extorsão e manipulação de informações em redes sociais, o entendimento é de que Raphael poderia utilizar ferramentas tecnológicas para apagar evidências ou intimidar testemunhas caso fosse solto. A Polícia Federal segue periciando os dispositivos apreendidos para mapear a rede de influência da página.
Esquema de extorsão e milícias digitais
As investigações que levaram Raphael à penitenciária estadual sugerem que a Choquei operava como uma engrenagem de coerção contra figuras públicas. Relatos recentes indicam que o grupo cobrava valores vultosos, chegando a r$ 50 mil, para cessar campanhas de difamação ou para garantir uma “blindagem” positiva nos perfis controlados por Raphael. Esse método de operação é o que a PF classifica como milícia digital, onde o engajamento de milhões de seguidores é usado como moeda de troca ou arma de ataque.
A transferência para o Complexo Prisional coloca o investigado sob regras rígidas de segurança, sem acesso a redes sociais ou meios de comunicação externa. O isolamento de Raphael Sousa visa garantir que a perícia técnica nos servidores da página avance sem interferências. Outros administradores de páginas de fofoca que mantinham conexões diretas com a estrutura da Choquei também entraram no radar das autoridades e podem ser chamados para depor nos próximos dias.
Repercussão no setor de entretenimento
O mercado de influenciadores e agências de marketing digital acompanha o caso com atenção, visto que a prisão preventiva de um dos maiores nomes do setor é um movimento inédito no combate à desinformação no Brasil. Advogados de defesa de Raphael Sousa afirmaram que entrarão com novos pedidos de habeas corpus em instâncias superiores, alegando que a medida de prisão é desproporcional. No entanto, o Ministério Público sustenta que a gravidade dos fatos e o impacto social das ações da página justificam a permanência do réu no sistema carcerário.