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Nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, as redes sociais foram palco de uma intensa discussão após o influenciador Lucas Borba assumir um novo relacionamento. O anúncio ocorre apenas três meses depois do falecimento de sua esposa, Isabel Veloso, que cativou o Brasil ao compartilhar sua batalha pública contra o câncer até sua partida em janeiro, aos 19 anos. A declaração “Sim, estou me permitindo” foi o ponto de partida para questionamentos sobre qual seria o intervalo “correto” para alguém se abrir ao amor novamente.
Para a psicologia, o tribunal da internet muitas vezes ignora que a dor não segue o calendário civil ou as expectativas sociais. Segundo a psicóloga Cibele Santos, não existe um tempo padrão para o luto. A especialista destaca que a expectativa de um “tempo de respeito” raramente coincide com a realidade emocional de quem viveu a perda. O tempo cronológico é diferente do tempo psíquico, e cada indivíduo processa a ausência de forma única e pessoal.
O papel do luto antecipatório no processo de cura
Um fator crucial para entender o caso de Lucas e Isabel é o chamado luto antecipatório. Em diagnósticos de doenças terminais ou batalhas longas contra enfermidades, o processo de perda não começa no momento do óbito, mas sim no diagnóstico. Durante o período de cuidados, o parceiro vivencia uma “despedida gradual”, onde o medo, a tristeza e a aceitação são trabalhados enquanto a pessoa ainda está presente.
Esse processamento prévio significa que parte do trabalho emocional já foi realizada durante a rotina exaustiva de cuidados e tratamentos. Quando a partida finalmente ocorre, o cuidador pode apresentar uma “prontidão precoce”. Isso explica por que pessoas que cuidaram de parceiros enfermos por muito tempo podem se sentir prontas para novos vínculos mais cedo do que aquelas que sofreram uma perda repentina e traumática.
O modelo de processo dual e a restauração da vida
A psicologia moderna utiliza o modelo de processo dual para explicar que o luto saudável é uma oscilação constante entre dois eixos principais. O primeiro é a orientação para a perda, onde o enlutado chora, sente saudade e olha para o passado. O segundo é a orientação para a restauração, momento em que a pessoa busca novas atividades, propósitos e relacionamentos para reconstruir sua funcionalidade.
Seguir em frente não indica falta de amor por quem partiu, mas sim uma busca pela continuidade da vida. Para muitos, o silêncio da casa após uma doença longa torna-se insuportável, e um novo relacionamento surge como um suporte emocional vital para preencher o vazio deixado pela rotina de cuidados. O coração não substitui a pessoa perdida, mas expande o espaço para novas histórias, transformando a dor em uma memória integrada à vida que segue.
Perfil de apego e a visão social
A forma como cada um lida com a viuvez também depende do seu perfil de apego. Pessoas com apego seguro tendem a entender que um novo amor não invalida o sentimento anterior. Elas conseguem separar a gratidão pelo passado da necessidade de felicidade no presente. No entanto, a pressão social e o julgamento externo muitas vezes impõem um peso desnecessário sobre aqueles que tentam recomeçar.
O debate gerado pelo caso de Lucas Borba reflete a dificuldade da sociedade em lidar com a finitude e com os diferentes ritmos da cura emocional. Enquanto uns apontam falta de consideração, outros defendem o direito individual de buscar conforto e alegria após períodos de profundo sofrimento. O Portal F7 segue acompanhando as discussões e trazendo visões de especialistas para ajudar a compreender a complexidade das relações humanas e do comportamento emocional.