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A equipe jurídica que representa o cantor MC Poze do Rodo emitiu uma nota oficial na tarde desta quarta-feira, 15 de abril de 2026, logo após o artista ter sido detido pela Polícia Federal em sua residência, no Recreio dos Bandeirantes. Em comunicado enviado à imprensa, a defesa afirmou que, até o presente momento, não teve acesso integral ao teor do procedimento investigatório, que tramita sob sigilo.
Os advogados destacaram que, assim que tomarem conhecimento dos detalhes das acusações, se manifestarão formalmente perante o Poder Judiciário para “restabelecer a liberdade” do cantor e prestar todos os esclarecimentos necessários. A nota reitera a confiança da defesa na demonstração da “verdade dos fatos” logo no início das diligências e ressalta que o artista está à disposição das autoridades para colaborar com o processo.
MC Poze do Rodo foi um dos 39 alvos de mandados de prisão temporária expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos no âmbito da Operação Narco Fluxo. A investigação mira uma organização criminosa suspeita de lavar cerca de R$ 1,6 bilhão proveniente do tráfico internacional de drogas, utilizando empresas de entretenimento, plataformas de apostas (bets) e rifas ilegais para ocultar a origem ilícita dos recursos.
A estrutura da operação e o papel dos influenciadores
A Polícia Federal aponta que o esquema era liderado por outro nome de peso do funk, o MC Ryan SP, que também foi preso nesta manhã em Bertioga, litoral paulista. Segundo a corporação, Ryan seria o principal beneficiário econômico da engrenagem e utilizava sua rede de influência para mesclar receitas lícitas de shows com capitais oriundos do crime organizado.
O envolvimento de Poze do Rodo, segundo fontes ligadas à investigação, estaria relacionado à utilização de sua imagem e alcance digital para a promoção de sorteios e plataformas que integravam a rede de lavagem. Além dos MCs, o criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, foi preso sob a suspeita de atuar como “operador de mídia”, recebendo altos valores para conter crises de imagem e promover conteúdos favoráveis aos alvos principais.
Bloqueio de bens e próximos passos jurídicos
Durante a ação no condomínio de Poze do Rodo, a PF apreendeu veículos de luxo e joias, além de equipamentos eletrônicos que serão submetidos a perícia. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de ativos financeiros que ultrapassam R$ 260 bilhões no somatório de todos os investigados, visando desarticular a infraestrutura econômica do grupo.
O Portal F7 seguirá acompanhando os desdobramentos jurídicos e as novas notas das defesas técnicas. A Operação Narco Fluxo representa uma das maiores investidas recentes contra a intersecção entre o mercado de entretenimento digital e a lavagem de capitais no Brasil, colocando sob escrutínio o papel de grandes influenciadores na promoção de negócios sob investigação policial em 2026.