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Nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, uma publicação no Diário Oficial do Estado de São Paulo gerou forte repercussão e questionamentos sobre os protocolos da Polícia Militar. A policial Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, teve sua transição da categoria de estagiária (aluno-soldado) para a de soldado oficializada. O fato ocorre cerca de 15 dias após a agente se envolver na morte de Thawanna Salmázio, atingida por um tiro no peito durante uma abordagem policial na Zona Leste da capital paulista.
Atualmente, a policial segue afastada do policiamento ostensivo nas ruas enquanto responde a duas frentes de investigação. O caso está sendo apurado internamente pela Corregedoria da Polícia Militar e também pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, que busca esclarecer as circunstâncias do disparo. A morte de Thawanna aconteceu no início deste mês, no bairro de Cidade Tiradentes, e causou revolta na comunidade local e nas redes sociais.
Secretaria de segurança pública nega promoção
Diante da polêmica gerada pela mudança de status da agente em meio às investigações, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) emitiu uma nota oficial para esclarecer a situação. Segundo o órgão, a oficialização não se trata de uma “promoção” por mérito, mas sim de uma adequação administrativa prevista na legislação vigente. Uma mudança recente na lei unificou as antigas categorias de Soldado de 1ª e 2ª Classe sob o título único de “Soldado PM”, o que gera um ajuste automático na remuneração e na nomenclatura do cargo após o período de formação.
A pasta explicou ainda que, tecnicamente, não existe a função de “estagiário” na estrutura da Polícia Militar. O período de aprendizado é cumprido como aluno-soldado e, ao fim deste ciclo, o profissional é integrado diretamente à função de soldado. A SSP reforçou que essa transição é um processo burocrático e coletivo que não interfere na condução dos inquéritos criminais ou administrativos que pesam sobre a conduta da policial.
Relembre o caso ocorrido em cidade tiradentes
A tragédia que vitimou Thawanna Salmázio ocorreu durante a madrugada, quando ela caminhava ao lado de seu marido em Cidade Tiradentes. Segundo relatos de testemunhas e do próprio companheiro da vítima, o braço dele teria encostado acidentalmente no retrovisor de uma viatura da Polícia Militar que passava pelo local. O incidente teria provocado uma discussão entre o casal e os policiais que estavam no veículo.
O desentendimento escalou rapidamente e terminou com o disparo de arma de fogo que atingiu o peito de Thawanna. Ela não resistiu aos ferimentos e faleceu pouco tempo depois. O caso reacendeu o debate sobre o despreparo em abordagens policiais e o uso desproporcional da força por agentes em formação. O Portal F7 segue acompanhando os laudos periciais e as decisões da Corregedoria para informar sobre os próximos passos da investigação e a possível responsabilização dos envolvidos.