O impacto devastador da guerra no Oriente Médio acaba de cruzar o Atlântico e atingir em cheio o coração diplomático e econômico da Europa. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que irá cortar todas as relações comerciais com a Espanha. A declaração explosiva foi feita na Casa Branca, durante um encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz, e marca o maior rompimento entre as duas nações aliadas em décadas recentes.
O estopim para a fúria do mandatário norte-americano foi a recusa oficial do governo do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em permitir que o Pentágono utilizasse as bases militares de Rota (Cádiz) e Morón (Sevilha) para o lançamento de ataques diretos contra o Irã. As instalações, que são de soberania espanhola mas operadas em conjunto com os EUA, tornaram-se o pivô de uma crise sem precedentes.
“A Espanha disse que não podemos usar as bases deles. E tudo bem, não precisamos. Poderíamos simplesmente voar para lá e usá-la, ninguém vai nos dizer para não usar. Mas eles foram hostis”, disparou Trump aos jornalistas. O republicano confirmou que já instruiu o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a implementar a paralisação dos negócios. “Vamos cortar todo o comércio com a Espanha. Não queremos ter nada a ver com a Espanha. Eu poderia parar tudo relacionado à Espanha hoje mesmo, tenho o direito de fazer isso com embargos”, ameaçou.
Defesa Espanhola e Tensão na OTAN
A retaliação econômica de Trump tem potencial para causar um terremoto financeiro, já que os Estados Unidos são um dos maiores parceiros comerciais do país ibérico, com um fluxo de dezenas de bilhões de dólares anuais. Em resposta à intimidação, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, defendeu a soberania nacional e argumentou que o veto é estritamente legal. Segundo Madri, o uso das bases para bombardear o Irã não está previsto no tratado bilateral de defesa e fere as diretrizes da Carta das Nações Unidas, configurando uma intervenção militar injustificada.
Além da recusa militar na atual guerra contra o regime de Teerã, Trump aproveitou o momento para expor outra insatisfação antiga com os espanhóis: os gastos com defesa. O presidente criticou duramente o fato de a Espanha ser a única nação da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) a rejeitar a meta de elevar o orçamento militar para 5% do Produto Interno Bruto (PIB), preferindo manter o índice estagnado na casa dos 2%.
Com o bloqueio das bases de Rota e Morón, o Portal F7 apurou que as forças armadas americanas foram obrigadas a transferir às pressas cerca de 15 aeronaves, incluindo aviões-tanque de reabastecimento logístico fundamentais para a missão, para outras localidades aliadas no Mediterrâneo. O mundo acompanha com apreensão os próximos passos de Washington, temendo que as sanções comerciais desencadeiem uma guerra econômica global em meio ao caos bélico.