Tenente coronel discute com policiais para tomar banho após morte da esposa

O oficial superior usou a sua patente para confrontar um soldado e um cabo na cena do crime. As imagens foram gravadas pelas câmeras corporais das autoridades em São Paulo.

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Foto: Reprodução/ metrópoles

O caso da morte trágica da policial militar Gisele Alves Santana acaba de ganhar novos e reveladores detalhes. O Ministério Público do estado de São Paulo incluiu no inquérito oficial as transcrições das câmeras corporais dos agentes de segurança que atenderam a ocorrência.

O principal suspeito do crime é o próprio marido da vítima o tenente coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Os novos documentos revelam um forte embate entre as regras do protocolo policial e o grande peso da hierarquia militar no local dos fatos.

De acordo com as informações publicadas pela reportagem do portal Metrópoles o oficial superior entrou em um confronto verbal direto com os seus subordinados. A confusão aconteceu momentos antes do acusado ser encaminhado para prestar os seus depoimentos na delegacia responsável.

As imagens gravadas pelas fardas dos policiais de rua mostram que o tenente coronel insistia muito em tomar um segundo banho no apartamento. O imóvel localizado na região central da capital paulista era exatamente a mesma cena do suposto crime que estava sob rigorosa investigação técnica.

Um dos soldados que estava na linha de frente do atendimento desconfiou imediatamente da enorme vontade do oficial em se lavar. O agente de segurança sabia perfeitamente que a água e o sabão poderiam destruir possíveis vestígios importantes espalhados pelo corpo do suspeito.

Buscando seguir o protocolo padrão para a preservação integral da cena do crime o policial de menor patente tentou impedir o acesso do superior ao chuveiro. O agente chegou a informar de maneira muito respeitosa que aquela restrição de movimento era uma ordem direta do tenente que comandava a delicada operação.

No entanto o acusado decidiu ignorar totalmente as regras e utilizou a sua alta patente dentro da corporação para intimidar os profissionais presentes no apartamento. A gravação capta o exato momento em que ele rebate a ordem recebida de forma extremamente autoritária e ríspida diante dos policiais.

O oficial superior respondeu dizendo para o soldado parar com aquele bloqueio porque ele iria tomar banho e trocar de roupa de qualquer maneira. Em seguida ele desafiou o policial mandando chamar o outro tenente responsável para confirmar que ele faria exatamente aquilo que queria.

Toda essa tensa troca de palavras ocorreu enquanto o corpo da sua própria esposa permanecia sem vida dentro do mesmo apartamento fechado. A postura de Geraldo Neto chamou a atenção dos investigadores que agora analisam o seu evidente esforço para acessar o imóvel e supostamente alterar a cena inicial.

Os diálogos completos foram formalmente reproduzidos e anexados ao inquérito principal que foi instaurado e conduzido pelo oitavo distrito policial paulista. Os documentos oficiais mostram muito claramente a preocupação explícita e totalmente justificada dos agentes operacionais com a integridade das provas materiais.

Especialistas em segurança pública afirmam que tomar banho após um crime envolvendo disparos de arma de fogo é uma tática criminal muito conhecida. A água consegue remover facilmente os pequenos resíduos de pólvora que costumam ficar alojados nas mãos e nos braços do atirador original.

Essa atitude de confrontar os agentes na porta do banheiro reforça ainda mais a forte tese apresentada pela acusação formal aos tribunais. Os promotores de justiça já haviam denunciado o tenente coronel pelo gravíssimo crime de fraude processual ao tentar forjar e montar a falsa situação de suicídio.

A quebra do protocolo em uma cena de crime por um alto oficial demonstra o peso e a influência que a hierarquia exerce na corporação militar. A insistência em tentar apagar vestígios lavando o próprio corpo levanta questionamentos ainda mais sérios sobre a sua real conduta nos minutos que sucederam o disparo fatal.

O Ministério Público paulista agora possui o áudio limpo e as imagens das câmeras corporais como provas documentais irrefutáveis de todo o ocorrido. O oficial que possuía o dever primordial de proteger e guardar as leis acabou utilizando a força do seu posto para tentar dominar a cena antes da chegada da perícia técnica.

A nossa redação de jornalismo investigativo segue acompanhando absolutamente cada página deste denso inquérito que abalou as estruturas da segurança do estado. Continuaremos trazendo atualizações muito precisas sobre o andamento judicial e todos os desdobramentos oficiais deste triste caso envolvendo violência e farda.

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