RISCO GEOPOLÍTICO AUMENTA INCERTEZA E AMEAÇA O RITMO DA ECONOMIA EM 2026

Protecionismo, tensões internacionais e possíveis choques em commodities podem mexer com inflação, investimentos e crescimento no próximo ano

Por f7
Foto : reprodução/ redes sociais

A economia mundial mostrou sinais de resiliência ao longo de 2025, mas especialistas vêm alertando que 2026 pode ser um ano mais “nebuloso” por causa do risco geopolítico e do aumento da incerteza no comércio global. No centro do debate estão o avanço de barreiras comerciais, a disputa por influência entre potências e a chance de novos choques em rotas marítimas e em preços de commodities, fatores que podem mexer diretamente com o bolso do consumidor e com as decisões de investimento.

Um dos pontos que mais preocupa analistas é a escalada da incerteza em torno de políticas comerciais, especialmente quando há prazos, ameaças de novas tarifas e ausência de acordos duradouros. O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que, caso medidas adicionais avancem, a incerteza pode pesar mais sobre a atividade econômica, afetando investimentos e a formação de novas cadeias de fornecimento, o que tende a desacelerar o comércio e a produção, principalmente em economias mais dependentes de exportações.  

Na prática, o efeito costuma ser uma combinação ruim: empresas ficam mais cautelosas para ampliar fábricas, contratar ou abrir novas rotas de importação e exportação. Esse “freio” na confiança aparece tanto no curto prazo, com adiamentos de decisões, quanto no médio prazo, porque reorganizar cadeias de suprimentos custa caro e leva tempo.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também chama atenção para um cenário de enfraquecimento das perspectivas globais diante de barreiras ao comércio, condições financeiras mais apertadas, perda de confiança e aumento da incerteza de políticas públicas. Nas projeções divulgadas pela entidade, o crescimento mundial desacelera para 2,9% em 2025 e permanece em 2,9% em 2026.  

Além das tarifas e do ambiente de disputa comercial, há um risco adicional: o de choques de oferta provocados por conflitos e tensões em regiões estratégicas. O FMI aponta que uma escalada de tensões geopolíticas, especialmente envolvendo Oriente Médio ou Ucrânia, pode interromper rotas de navegação e cadeias de suprimentos e ainda pressionar preços de commodities caso infraestrutura de oferta seja afetada. Esse tipo de choque tende a reduzir o crescimento e reativar pressões inflacionárias, criando um dilema maior para bancos centrais que já lidam com um ambiente desafiador.  

Para 2026, o recado do mercado é simples: mesmo que a atividade tenha resistido em 2025, a combinação de protecionismo, tensões internacionais e possíveis choques em energia e logística pode tornar o cenário mais instável, com reflexos em inflação, juros, câmbio e nível de atividade em várias regiões.

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Digite aqui...

O Portal F7 utiliza cookies de navegação. Saiba mais.