Os bastidores do encarceramento do ex-presidente Jair Bolsonaro acabam de ganhar contornos de alta complexidade médica e logística. Um relatório oficial produzido pela direção do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal — instalação conhecida como “Papudinha”, onde o político cumpre pena de 27 anos e três meses — revelou que Bolsonaro recebeu impressionantes 144 atendimentos médicos em um intervalo de apenas 39 dias. O levantamento abrange o período de 15 de janeiro a 22 de fevereiro de 2026, o que representa uma média de quase quatro consultas ou intervenções de saúde por dia.
Supremo Tribunal Federal (STF), para negar o mais recente pedido de prisão domiciliarOs dados detalhados constam no laudo da perícia médica da Polícia Federal e foram a peça-chave utilizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para negar o mais recente pedido de prisão domiciliar humanitária solicitado pela defesa do ex-mandatário. Os advogados argumentavam que as múltiplas comorbidades de Bolsonaro exigiam transferência para o regime domiciliar. No entanto, o relatório provou que a estrutura carcerária atual oferece suporte de “alta complexidade”, contando inclusive com uma Unidade de Saúde Avançada do Samu à disposição 24 horas e a entrada frequente de médicos particulares, como o Dr. Brasil Caiado.
Rotina Rigorosa e Controle de Doenças
Apesar de confirmar que o ex-presidente sofre de hipertensão, obesidade, refluxo gastroesofágico e queratose actínica (lesões na pele), os peritos da PF atestaram que todas as condições estão rigorosamente sob controle medicamentoso. O documento destaca que Bolsonaro tem respondido muito bem ao tratamento contra a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) grave. O uso contínuo de um aparelho respiratório durante a noite gerou uma melhora de 80% na qualidade do seu descanso.
O laudo também destrinchou a rotina diária do preso ilustre. Bolsonaro relatou que costuma dormir por volta das 22h e acorda às 5h, embora só levante da cama às 8h. Suas manhãs são dedicadas à leitura de livros — como a obra “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva —, hábito autorizado pelo STF para abater dias de sua pena. No período da tarde, ele assiste a programas esportivos, descansa e realiza sessões de fisioterapia, que intercalam exercícios de alongamento e acupuntura.
Para manter a saúde cardiovascular, o ex-presidente faz caminhadas diárias de aproximadamente 1 km na área comum do batalhão sob escolta. Devido à sua condição de pele, os médicos prescreveram uma rotina rigorosa: ele é obrigado a usar filtro solar com fator de proteção 30 ou superior, roupas com proteção UV, chapéu e óculos escuros, além de ser proibido de se expor ao sol entre 10h e 16h.
Além da assistência à saúde, o que chamou a atenção de Moraes para negar a soltura foi a “intensa atividade política” mantida atrás das grades. Nos mesmos 39 dias, Bolsonaro recebeu 36 visitas de terceiros (sem ligação familiar direta), incluindo encontros estratégicos com parlamentares e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Para o STF, a agenda lotada e o quadro clínico totalmente estabilizado esvaziam qualquer justificativa legal para a concessão da prisão domiciliar.