O menino Anderson Kauan, de 8 anos, prestou depoimento à Polícia Civil do Maranhão e relatou como ocorreu a separação entre ele e os primos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no caso que mobiliza equipes de resgate em Bacabal . As crianças desapareceram no dia 4 de janeiro após entrarem em uma área de mata no Quilombo São Sebastião dos Pretos.
Segundo o relato da criança, os três saíram de casa para procurar um pé de maracujá na região. Durante o trajeto, teriam sido advertidos por um tio para retornar, mas acabaram seguindo por um caminho alternativo que dava acesso a uma área de mata mais fechada. Foi nesse momento que o grupo se perdeu, sem conseguir encontrar o caminho de volta.
De acordo com informações repassadas pela polícia, Anderson contou que ele e os primos permaneceram juntos por pelo menos duas noites após entrarem na mata. O delegado responsável pelo caso, Ederson Martins, afirmou que esse período é compatível com os indícios levantados até agora pelas equipes que atuam nas buscas.
Durante o tempo em que estiveram juntos, as crianças se abrigaram em um ponto conhecido por moradores da região como “casa caída”, uma estrutura abandonada no meio da mata. Anderson relatou que o local tinha uma cadeira e um colchão antigos, utilizados como apoio durante o período em que permaneceram ali.
Ainda segundo o depoimento, devido ao estado precário da estrutura, em alguns momentos as crianças buscaram abrigo ao pé de uma árvore próxima, tentando se proteger enquanto aguardavam uma forma de sair da mata. A polícia avalia que o local descrito pelo menino pode ajudar a delimitar a área de buscas.
Anderson foi localizado sozinho três dias após o desaparecimento, caminhando pela mata. Ele foi encontrado por um morador da região e encaminhado ao Hospital Geral de Bacabal, onde recebeu atendimento médico e psicológico. Desde então, vem colaborando com as autoridades, dentro do acompanhamento adequado, para ajudar a esclarecer o ocorrido.
As buscas por Ágatha Isabelly e Allan Michael entraram no 16º dia nesta segunda-feira (19). A força-tarefa reúne policiais civis e militares, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, militares das Forças Armadas e centenas de voluntários da região. As equipes utilizam cães farejadores, drones, helicópteros e embarcações para ampliar o alcance das operações.
As autoridades reforçam que o depoimento de Anderson é considerado importante para a investigação, mas destacam que o trabalho segue de forma cautelosa e técnica. Novas áreas estão sendo mapeadas a partir das informações fornecidas, enquanto familiares aguardam respostas e a comunidade permanece mobilizada.