PF prende dono do Banco Master por liderar milícia privada; bloqueio atinge R$ 22 bilhões

Daniel Vorcaro é alvo da 3ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo STF. Esquema bilionário corrompeu ex-diretores do Banco Central e contava com arapongas para coagir adversários.

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Foto: Reprodução/ feito com inteligência artificial

O império do Banco Master sofreu seu golpe mais devastador na manhã desta quarta-feira (4 de março). A Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Compliance Zero e prendeu preventivamente o banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. A ordem de prisão foi expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, e expõe um esquema criminoso de proporções inéditas que envolve lavagem de dinheiro, corrupção e táticas de intimidação dignas de máfias internacionais.

A detenção ocorreu na residência de Vorcaro, em São Paulo. Além dele, o seu cunhado, o empresário Fabiano Campos Zettel, também foi alvo de mandado de prisão e se entregou voluntariamente à corporação. Para asfixiar o poder financeiro da organização criminosa, o STF determinou o bloqueio e o sequestro de bens que podem chegar à impressionante cifra de R$ 22 bilhões. O objetivo é interromper o fluxo de capital que sustentava as operações ilícitas, baseadas na venda de títulos de crédito falsos.

Milícia Privada e Infiltração no Banco Central

O detalhe mais chocante do inquérito da Polícia Federal é a descoberta de uma “milícia privada” a serviço do banqueiro. Segundo as investigações, Vorcaro liderava uma estrutura paralela focada em ameaçar, coagir e espionar adversários comerciais e agentes públicos. Os operadores dessa milícia, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva, foram alvos da operação por executarem o monitoramento de alvos e a invasão de dispositivos informáticos para neutralizar qualquer ameaça aos negócios do banco.

O esquema criminoso também conseguiu se infiltrar no órgão máximo de regulação financeira do país. A PF cumpriu medidas cautelares contra Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do Banco Central (BC), e Belline Santana, ex-servidor da autarquia. A investigação aponta que eles atuavam como consultores informais e informantes de Vorcaro dentro do BC, favorecendo o Banco Master nas fiscalizações. Ambos já haviam sido afastados de suas funções pelo atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Prisão no Dia da CPI

A prisão de Vorcaro ocorreu com um “timing” político cirúrgico. O banqueiro era aguardado na manhã desta quarta-feira para prestar depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal. Contudo, na noite de terça-feira (3), o ministro André Mendonça atendeu a um pedido da defesa e concedeu um habeas corpus permitindo que ele não comparecesse ao colegiado, garantindo o direito constitucional de não produzir provas contra si mesmo.

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que o dono do Banco Master vai parar atrás das grades. Em novembro do ano passado, ele chegou a ser preso no aeroporto enquanto tentava fugir para o exterior, mas foi solto 10 dias depois com o uso de tornozeleira eletrônica. Em nota, a defesa de Vorcaro negou categoricamente as acusações, afirmando que o empresário confia nas instituições e sempre esteve à disposição da Justiça. O Portal F7 segue acompanhando os desdobramentos na sede da Polícia Federal.

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