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MORAES PEDE EXTRADIÇÃO DE EX-ASSESSOR EDUARDO TAGLIAFERRO, ALVO DE DENÚNCIAS DA PGR

Ex-perito do TSE é acusado de vazar informações sigilosas, obstruir investigações e tentar desestabilizar instituições democráticas.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, solicitou formalmente a extradição de seu ex-assessor Eduardo Tagliaferro, atualmente residente na Itália. O pedido, enviado ao Ministério da Justiça, foi encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores, que deve acionar o governo italiano para dar sequência ao processo diplomático.

A iniciativa marca mais um capítulo na série de investigações que envolvem o nome de Tagliaferro, apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como peça-chave em uma rede de vazamento de informações sigilosas que teria como objetivo minar o trabalho das instituições brasileiras.

Quem é Eduardo Tagliaferro

Perito em computação e segurança digital, Eduardo Tagliaferro atuou como assessor especial de Moraes no TSE, onde chegou a comandar a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED). O setor tinha a missão de monitorar ataques virtuais, campanhas de desinformação e fake news voltadas ao processo eleitoral.

No entanto, o próprio Tagliaferro acabou sendo acusado de atuar no sentido contrário à sua função oficial. Segundo a PGR, ele teria vazado mensagens e documentos internos do STF e do TSE, repassando informações estratégicas a terceiros interessados em enfraquecer investigações sobre atos antidemocráticos.

As denúncias da PGR

Na última sexta-feira (22), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou denúncia contra Tagliaferro por violação de sigilo funcional, obstrução de investigações, coação no curso do processo e até mesmo tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

De acordo com o documento, as condutas atribuídas ao ex-assessor representaram “ataques diretos ao funcionamento das instituições”, com potencial de comprometer investigações cruciais conduzidas pelo STF. Entre elas, o inquérito das fake news (Inq. 4.781), a apuração sobre atos antidemocráticos (Pet. 12.100) e o caso das chamadas milícias digitais (Inq. 4.784).

A investigação da Polícia Federal

Antes mesmo da denúncia da PGR, a Polícia Federal já havia indiciado Tagliaferro, em abril, por violação de sigilo funcional com dano à administração pública. Os investigadores apontam que ele não teria agido sozinho: outros envolvidos, também investigados, teriam fugido para o exterior, o que reforça a suspeita de que haja uma atuação coordenada.

Segundo a PF, o ex-assessor teria utilizado sua posição estratégica no TSE para acessar documentos restritos e vazar conteúdos que circularam em grupos privados, em um episódio que ficou conhecido como “Vaza Toga”.

A versão da defesa

Eduardo Tagliaferro nega todas as acusações. Em entrevistas recentes, ele afirmou ser vítima de perseguição política e disse que Moraes “destruiu sua vida” ao transformá-lo em alvo de sucessivas investigações.

Na Itália, onde vive atualmente, o ex-assessor se prepara para apresentar uma denúncia contra o ministro ao Parlamento Europeu. Tagliaferro alega possuir provas que demonstrariam abusos cometidos contra ele e afirma contar com o apoio de parlamentares de direita, tanto no Brasil quanto fora do país.

“Não vazei informação alguma. Estou sendo usado como bode expiatório em uma guerra política”, declarou.

Impactos políticos e diplomáticos

O pedido de extradição de Moraes pode gerar repercussão tanto no Brasil quanto no cenário internacional. Do ponto de vista jurídico, caberá ao governo italiano avaliar se há elementos suficientes para atender ao pedido e entregar Tagliaferro às autoridades brasileiras.

Já do ponto de vista político, o caso tende a aprofundar divisões. Parlamentares alinhados à direita têm usado a situação como argumento para criticar Moraes, acusando o ministro de autoritarismo. Por outro lado, aliados do STF afirmam que as medidas contra o ex-assessor são necessárias para proteger a integridade das instituições democráticas.

O que vem pela frente

Com a denúncia formalizada pela PGR e o pedido de extradição em andamento, Eduardo Tagliaferro passa a enfrentar um cenário delicado. Caso a Itália aceite entregar o ex-assessor ao Brasil, ele poderá responder judicialmente por uma série de crimes graves, cujas penas somadas podem ultrapassar uma década de prisão.

Até lá, a defesa promete insistir no discurso de perseguição e na tentativa de levar o embate para tribunais e fóruns internacionais.

A extradição, se confirmada, representará um movimento inédito de confronto direto entre Moraes e um ex-colaborador que passou a ser tratado como inimigo declarado.

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