A escalada do conflito no Oriente Médio forçou a Europa a entrar ativamente na linha de frente militar. O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou em um pronunciamento transmitido em rede nacional nesta terça-feira (3 de março de 2026) que ordenou o envio imediato do porta-aviões de propulsão nuclear Charles de Gaulle para as águas tensas do Mar Mediterrâneo. A decisão drástica ocorre em resposta à onda de retaliações promovida pelo Irã, que passou a mirar não apenas ativos dos Estados Unidos e de Israel, mas também infraestruturas estratégicas de nações europeias.
A gota d’água para a mobilização do governo francês foi uma série de ofensivas com drones kamikazes iranianos. Segundo Macron, uma base da Força Aérea britânica localizada no Chipre — país que é membro da União Europeia e parceiro estratégico de Paris — foi alvo de um ataque direto. Além disso, um hangar militar dentro de uma base naval francesa nos Emirados Árabes Unidos também foi atingido no último domingo (1º). “Diante dessa situação instável e das incertezas dos próximos dias, ordenei que o porta-aviões Charles de Gaulle, seus recursos aéreos e sua escolta de fragatas se dirigissem para o Mediterrâneo”, declarou o mandatário.
A Força de Choque e os Alertas no Líbano
O deslocamento do Charles de Gaulle altera significativamente o equilíbrio de forças na região. A embarcação, que estava operando no Mar Báltico, é o principal navio-almirante da Marinha Francesa e o único porta-aviões nuclear da Europa construído fora dos Estados Unidos. Ele viaja acompanhado de um poderoso grupo de ataque (CSG), carregando a bordo dezenas de caças de última geração Dassault Rafale M, além de aeronaves de radar Hawkeye e helicópteros de combate.
Como medida de urgência, a França já adiantou o envio da fragata de defesa antiaérea Languedoc, que tem previsão de atracar na costa do Chipre para estabelecer um escudo de proteção contra novos mísseis e drones. Macron ressaltou que sistemas de defesa aérea terrestre e radares aerotransportados adicionais também foram ativados nas últimas horas em bases aliadas no Golfo Pérsico para blindar os interesses ocidentais contra o regime de Teerã.
Aproveitando o pronunciamento, o presidente francês também enviou recados duros aos países vizinhos envolvidos na crise. Observando que a guerra já se espalhou fortemente para o território libanês, Macron criticou o grupo extremista Hezbollah, afirmando que a milícia cometeu “o grave erro de atacar Israel” e colocar os civis em perigo. No entanto, ele também traçou uma linha vermelha para o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertando expressamente contra o lançamento de qualquer operação militar terrestre por parte de Israel dentro do Líbano. O Portal F7 segue de plantão acompanhando a aproximação da frota francesa.