Lula critica postura dos EUA na Venezuela e alerta para riscos ao sistema internacional

Presidente brasileiro afirma que ações unilaterais enfraquecem o multilateralismo e defende cooperação entre países do continente

Por f7
Foto: Reprodução/ redes sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas à atuação dos Estados Unidos em relação à Venezuela, ao comentar a recente prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Em artigo assinado por ele e publicado neste domingo (18) em um jornal internacional, Lula afirmou que o episódio representa mais um sinal de enfraquecimento das regras que regem as relações entre os países no cenário global.

No texto, o presidente brasileiro sustenta que a repetição de ações unilaterais por grandes potências tem reduzido progressivamente a credibilidade das instituições multilaterais criadas após a Segunda Guerra Mundial. Segundo Lula, organismos como a Organização das Nações Unidas acabam perdendo autoridade quando decisões relevantes passam a ser tomadas fora de seus marcos legais e diplomáticos.

Lula argumenta que o uso recorrente da força como instrumento político cria um ambiente de instabilidade permanente. Para ele, quando normas internacionais deixam de ser aplicadas de maneira uniforme, abre-se espaço para um cenário de insegurança jurídica global, no qual a previsibilidade das relações entre Estados é substituída por decisões pontuais baseadas em interesses específicos.

O presidente brasileiro reconhece que governantes podem e devem ser responsabilizados por violações à democracia e aos direitos fundamentais, mas ressalta que esse processo precisa ocorrer dentro de regras previamente acordadas pela comunidade internacional. Na avaliação de Lula, nenhum país pode assumir isoladamente a função de árbitro mundial sem comprometer o equilíbrio das relações internacionais.

No artigo, Lula também aponta consequências práticas desse tipo de postura, como impactos negativos sobre o comércio internacional, retração de investimentos, aumento de fluxos migratórios e maior dificuldade no enfrentamento de problemas transnacionais, a exemplo do crime organizado e do narcotráfico.

Ao tratar da América Latina, o presidente defende uma agenda baseada em pragmatismo e cooperação, acima de disputas ideológicas. Ele cita como prioridades regionais o fortalecimento da infraestrutura, a geração de empregos, a ampliação do comércio e políticas conjuntas voltadas à redução da pobreza e das desigualdades sociais.

Lula afirma ainda que desafios globais, como a fome e as mudanças climáticas, exigem respostas coletivas. Segundo ele, a divisão do mundo em áreas de influência e a busca por recursos estratégicos por meio de pressões políticas ou militares são práticas ultrapassadas que não contribuem para a estabilidade internacional.

Apesar das críticas, o presidente destaca que o Brasil mantém diálogo aberto com os Estados Unidos e ressalta que os dois países compartilham valores democráticos. Para Lula, a cooperação em áreas como investimento, comércio e segurança é o caminho mais eficaz para enfrentar os desafios comuns do continente.

O chefe do Executivo encerra o texto defendendo que apenas por meio de esforços conjuntos será possível construir soluções duradouras para os problemas que afetam o hemisfério, reforçando a necessidade de respeito às regras internacionais e ao multilateralismo.

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