Gastos com cartão corporativo em 2025 somam R$ 423 milhões, apontam dados do governo

Levantamentos com base no Portal da Transparência indicam queda em relação a 2024, mas mantêm debate sobre sigilo e critérios de uso.

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Foto: Reprodução/ redes sociais

Levantamentos publicados neste sábado (21) com base em informações do Portal da Transparência indicam que os gastos do governo federal com o Cartão de Pagamento do Governo Federal (CPGF), conhecido popularmente como cartão corporativo, somaram cerca de R$ 423 milhões ao longo de 2025. Os números repercutiram porque, entre os maiores valores pagos, aparecem categorias relacionadas a empresas de meios de pagamento, estabelecimentos de materiais de construção e serviços de entrega de comida, como o iFood, segundo reportagens que citam registros oficiais e compilações da imprensa.  

O CPGF é um instrumento usado por órgãos federais para custear despesas específicas, geralmente ligadas a atividades administrativas, deslocamentos, pequenas compras e operações que exigem agilidade. No Portal da Transparência, a base do CPGF é alimentada com dados do Banco do Brasil e atualizada por faturas mensais, conforme descrição do próprio portal.  

Na comparação com anos anteriores do atual mandato, os mesmos levantamentos apontam que 2025 ficou abaixo de 2024, quando os gastos teriam superado R$ 584 milhões, e próximo de 2023, quando o total informado foi de R$ 430 milhões. Somados, os três anos (2023 a 2025) ultrapassariam R$ 1,4 bilhão.  

Um ponto que tem concentrado críticas e pedidos de esclarecimento é o nível de detalhamento público dessas despesas. Reportagens sobre auditorias e monitoramentos do Tribunal de Contas da União (TCU) afirmam que, no caso específico da Presidência da República, a maior parte dos gastos registrados em determinado período foi classificada como “reservada” ou “sigilosa”, o que dificulta o controle social sobre itens, notas e justificativas.  

Do outro lado, defensores do uso do instrumento argumentam que parte do sigilo pode ser legalmente aplicado em situações que envolvam segurança institucional, deslocamentos sensíveis e proteção de rotinas de autoridades. Na prática, o debate costuma girar em torno de dois pontos: quando o sigilo é realmente necessário e quais informações mínimas poderiam ser abertas sem comprometer a segurança, como categorias mais detalhadas, parâmetros e auditoria com critérios objetivos.

Até o momento, o tema tende a seguir em evidência porque envolve transparência pública, fiscalização e comparação entre governos, além de pressões de diferentes lados para ampliar ou restringir a abertura dos dados. Com a base do CPGF sendo atualizada periodicamente no Portal da Transparência, novos balanços devem continuar alimentando a discussão sobre gastos, prioridades e prestação de contas.

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