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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República em 2026, declarou nesta segunda-feira, 6 de abril, que pretende implementar no Brasil uma política de segurança inspirada em El Salvador. A afirmação ocorreu durante entrevista a um podcast, onde o parlamentar detalhou seus planos para o combate à criminalidade.
Flávio Bolsonaro destacou que a experiência salvadorenha, conduzida pelo presidente Nayib Bukele, é um exemplo de como medidas rigorosas podem reduzir drasticamente os índices de violência. Segundo o senador, o sucesso do modelo está na combinação de leis severas com o amplo apoio da população local.
Entre as estratégias que o senador pretende importar está a tipificação do crime de pertencimento a facções criminosas. No modelo defendido, o simples vínculo com organizações ilícitas resultaria em penas elevadas, cumpridas sem qualquer possibilidade de progressão de regime.
O parlamentar relatou que visitou El Salvador pessoalmente para conhecer de perto as ações implementadas pelo governo de Bukele. Flávio afirmou que a realidade encontrada no país da América Central reforçou sua convicção de que o Brasil precisa de um choque de ordem semelhante para retomar o controle do território.
Foco no endurecimento penal e fim da progressão de regime
Durante a sabatina, o senador reforçou que levará este modelo como uma das principais bandeiras de sua campanha eleitoral. “Se o brasileiro escolher esse caminho, é isso que eu vou fazer”, afirmou Flávio, sinalizando uma guinada à direita na política de segurança pública nacional.
A proposta de Flávio Bolsonaro foca no isolamento total de lideranças criminosas e no encarceramento em massa de membros de facções. O modelo salvadorenho é conhecido pela construção de megapresídios e pela suspensão de garantias constitucionais durante o estado de exceção.
Críticos do modelo apontam riscos de violações aos direitos humanos, mas Flávio argumenta que a prioridade deve ser a proteção do cidadão de bem. Para o senador, o sistema penal brasileiro atual é leniente e favorece a reincidência criminal, algo que o modelo de Bukele teria resolvido.
A implementação de tais medidas no Brasil exigiria reformas profundas no Código Penal e na Lei de Execução Penal. Flávio acredita que terá apoio parlamentar suficiente para aprovar essas mudanças caso seja eleito para o Palácio do Planalto.
Impacto eleitoral e o debate sobre segurança em 2026
A segurança pública deve ser o tema central das eleições presidenciais deste ano, e a fala de Flávio Bolsonaro já movimenta os bastidores em Brasília. A estratégia busca consolidar o apoio do eleitorado que demanda soluções rápidas e enérgicas contra o crime organizado.
O senador aposta na polarização sobre o tema para se diferenciar dos demais concorrentes. Ao citar El Salvador, Flávio utiliza um exemplo internacional real que, apesar das controvérsias, apresenta resultados estatísticos de queda nos homicídios que impressionam o eleitor brasileiro.
A equipe de campanha do parlamentar planeja novas viagens internacionais para buscar outros modelos de gestão que possam ser adaptados à realidade do Brasil. O objetivo é apresentar um plano de governo técnico, porém focado em resultados imediatos na percepção de segurança da população.
A declaração de Flávio Bolsonaro coloca o governo atual e outros pré-candidatos em uma posição de reação. O debate sobre até onde o Estado pode ir para combater o crime, sem ferir direitos individuais, será o grande divisor de águas nos próximos debates televisivos.