O senador Flávio Bolsonaro (PL RJ) assinou um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, em uma nova escalada da ofensiva de parlamentares da oposição que miram a atuação do magistrado em processos relacionados ao Banco Master. O movimento se soma a outras representações protocoladas no Senado nos últimos meses, que citam suspeição e pedem o afastamento do ministro por supostos crimes de responsabilidade.
De acordo com publicações que divulgaram a lista de subscritores, Flávio aparece entre os senadores que aderiram a uma das representações apresentadas em fevereiro, em um pedido que menciona o caso Master como ponto central. Nessa linha, os autores alegam que Toffoli não deveria conduzir investigações e decisões relacionadas ao tema, por questionamentos sobre vínculos e contatos fora do processo.
A discussão ganhou ainda mais visibilidade porque, na última semana, Toffoli decidiu se afastar da relatoria do caso Banco Master no STF. A mudança ocorreu após um relatório da Polícia Federal citar menções ao ministro em dados extraídos do celular do controlador do banco, Daniel Vorcaro, o que aumentou a pressão política e a repercussão pública. Toffoli negou irregularidades e o caso foi redistribuído, com indicação de novo relator no tribunal.
No Senado, o tema do impeachment de ministros do STF volta e meia reaparece, mas o rito depende de decisões internas da Casa. Em termos práticos, após o protocolo, cabe ao presidente do Senado avaliar se o pedido tem requisitos formais para tramitar, além de definir se haverá encaminhamento para análise. Essa etapa costuma ser o principal “filtro” político, já que muitos pedidos ficam parados ou são arquivados sem avançar.
Há também um debate jurídico paralelo sobre quem pode apresentar esse tipo de denúncia. Em dezembro de 2025, uma decisão no STF restringiu trechos da Lei do Impeachment de 1950 que permitiam a qualquer cidadão protocolar pedidos contra ministros, o que abriu discussão no Congresso e motivou manifestações do próprio Senado defendendo regras mais claras. Esse contexto influencia o ambiente em que novos pedidos, assinados por parlamentares, passam a ter mais peso político do que representações individuais.
Até o momento, não há indicação de que o pedido assinado por Flávio tenha prazo definido para análise, nem confirmação de que será apreciado de forma imediata. O tema, porém, segue no centro do debate por envolver uma investigação sensível e por ter reflexos diretos na relação entre Poderes, especialmente em ano pré eleitoral.