A Câmara dos Deputados definiu a nova liderança da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher nesta quarta feira. A deputada federal Erika Hilton, representante do Partido Socialismo e Liberdade de São Paulo, foi eleita para ocupar o cargo de presidente do colegiado durante o atual ano legislativo. A parlamentar assume a cadeira deixada pela deputada Célia Xakriabá e se consolida como a primeira mulher transgênero a comandar uma comissão permanente no Congresso Nacional. O resultado final do pleito foi concretizado após a candidata receber onze votos favoráveis. Em um movimento de protesto organizado contra a indicação, dez parlamentares da base de oposição decidiram registrar os seus votos em branco.
Além de sacramentar o nome da nova presidente, a sessão também estabeleceu as deputadas que vão compor o restante da mesa diretora. A deputada Laura Carneiro foi escolhida como a primeira vice presidente, a Delegada Adriana Accorsi assumiu a segunda vice presidência e Socorro Neri ficou com a terceira posição do grupo. Durante o seu primeiro discurso, Erika Hilton buscou afastar as tensões partidárias e garantiu que o foco de sua gestão será o trabalho por todas as mulheres brasileiras, englobando as necessidades de mães e de minorias sociais. A deputada anunciou que as prioridades absolutas do seu mandato incluem a fiscalização rigorosa das Casas da Mulher Brasileira, o enfrentamento contínuo contra a violência política de gênero e a formulação de políticas públicas focadas na saúde integral feminina.
O processo eleitoral interno gerou fortes debates e descontentamentos na ala conservadora do Legislativo. Parlamentares do espectro ligado à direita, a exemplo da deputada Chris Tonietto e da senadora Damares Alves, expressaram críticas públicas sobre o resultado da comissão. O argumento central utilizado pela base oposicionista sustenta que o colegiado dedicado aos direitos femininos deveria ser liderado obrigatoriamente por uma mulher biológica e cisgênero. Segundo a visão exposta por essas políticas, apenas as pessoas que enfrentam as realidades e os desafios biológicos da natureza feminina teriam a propriedade necessária para representar o público e ditar o rumo das pautas.
A repercussão da posse transbordou o ambiente do plenário e desencadeou um embate imediato na esfera judicial. Na noite de quarta feira, o apresentador Carlos Massa, conhecido popularmente como Ratinho, utilizou o seu programa na emissora SBT para tecer críticas diretas à eleição parlamentar. Durante a transmissão, o comunicador declarou que a deputada não seria mulher, justificando a sua opinião ao afirmar que a condição feminina exigiria a presença de um útero e a ocorrência do ciclo menstrual. Em resposta às declarações, a equipe jurídica da deputada acionou o Ministério Público Federal para investigar o apresentador por possível crime de transfobia. A ação civil pede a condenação ao pagamento de uma indenização estipulada em dez milhões de reais por danos morais coletivos e exige que o canal de televisão transmita uma retratação pública com a mesma duração e no mesmo horário de grande audiência.