ATENÇÃO: A matéria a seguir contém descrições e relatos sensíveis sobre agressão e abuso sexual. O conteúdo pode acionar gatilhos. Caso você seja vítima ou conheça alguém que sofra com esse tipo de violência, denuncie. Ligue para o 180.
O brutal estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, teve como cenário um endereço que chocou até mesmo os investigadores da 12ª Delegacia de Polícia. O crime não ocorreu em um local aleatório, mas sim dentro de um apartamento que pertence a José Carlos Costa Simonin, até então subsecretário de Governança do Governo do Estado do Rio.
A revelação de que o imóvel estava registrado no nome de um integrante do alto escalão do executivo estadual — uma pasta ligada à área de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos — jogou os holofotes do país inteiro sobre o caso. A pressão foi imediata e resultou na exoneração oficial do subsecretário, que teve sua demissão publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira (4/3).
O cenário da “Emboscada Planejada”
Para a Polícia Civil, o que aconteceu no apartamento da Rua Ministro Viveiros de Castro foi uma “emboscada planejada”. Os investigadores descobriram que o imóvel, embora pertencesse à família do ex-subsecretário, era frequentemente ofertado para locação e não servia de moradia diária. Esse isolamento facilitou a ação criminosa do grupo.
O álibi dos agressores foi completamente derrubado pelas câmeras de segurança do próprio edifício. As imagens registraram de forma nítida a movimentação dos envolvidos, capturando o momento exato da entrada da adolescente — que foi atraída ao local pelo ex-namorado de 17 anos — e a saída do grupo após o crime.
Vitor Hugo Oliveira Simonin e os outros réus
O elo direto entre a cena do crime e o governo estadual atende pelo nome de Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos. Ele é filho do ex-subsecretário exonerado e um dos cinco denunciados pela atrocidade. Com a prisão decretada, Vitor Hugo Oliveira Simonin se entregou à polícia na manhã de quarta-feira (4/3).
A defesa do jovem, representada pelo advogado Ângelo Máximo, admitiu à imprensa que Vitor Hugo Oliveira Simonin estava presente no apartamento durante o ocorrido, mas negou sua participação direta no estupro. O advogado revelou ainda que foi surpreendido na delegacia com uma nova denúncia de abuso envolvendo o rapaz.
Além de Vitor Hugo Oliveira Simonin, o cerco fechou para todos os outros adultos acusados. Bruno Felipe dos Santos Allegretti também se entregou na quarta-feira, juntando-se a Matheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, que já haviam sido presos na terça-feira (3/3). Matheus optou por ficar em silêncio no depoimento, enquanto a defesa de João Gabriel negou o crime.
Com os quatro adultos presos e à disposição da Justiça como réus, as autoridades agora focam no quinto suspeito, o adolescente de 17 anos, cuja identidade é mantida em sigilo e que responderá na Vara da Infância. Em nota, o Governo do Estado repudiou o ato de violência e confirmou que a Secretaria de Estado da Mulher está garantindo apoio psicológico integral à vítima e à sua família.