Uma decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal interrompeu uma linha de investigação sensível que tramitava no Congresso Nacional. Ao barrar a prorrogação da CPMI do INSS, a Corte impediu que os parlamentares tivessem acesso aos registros detalhados de passageiros de aeronaves ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A comissão buscava esclarecer a frequência e as circunstâncias em que ministros do próprio Supremo utilizaram jatos geridos pela empresa Prime Aviation, mas o encerramento dos trabalhos inviabilizou a obtenção dessas informações estratégicas.
Antes do fechamento oficial, a CPMI havia aprovado um requerimento formal solicitando a lista completa de passageiros à Prime Aviation. A empresa utilizou prazos protelatórios para não entregar os dados dentro do cronograma da comissão. Em ocasiões distintas, a companhia solicitou períodos maiores para resposta, alegando que não havia recebido o pedido original para informar sobre voos realizados desde o ano de 2015. Mesmo após a rejeição do pedido de adiamento, a empresa voltou a declarar falta de tempo para reunir a integralidade dos documentos requisitados pelos parlamentares.
O desfecho do impasse ocorreu quando o plenário do Supremo Tribunal Federal se reuniu para derrubar uma decisão individual do ministro André Mendonça, que havia autorizado a prorrogação da comissão. Com a queda da liminar, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, oficializou o encerramento das atividades. Caso a comissão tivesse obtido os sessenta dias adicionais de funcionamento, os integrantes teriam instrumentos legais para obrigar a Prime Aviation a enviar os dados sob pena de sanções severas, expondo quem de fato utilizou as aeronaves de luxo nos últimos anos.
A interrupção da coleta desses dados gera um forte debate sobre a transparência nas relações entre o alto escalão do Judiciário e o setor financeiro privado. A Prime Aviation chegou a enviar um ofício à comissão afirmando que, apesar das diligências, não foi possível atender à requisição nos moldes formulados. Sem o tempo necessário para novas cobranças judiciais, as informações permanecem sob sigilo corporativo. O Portal F7 reforça que a decisão de não permitir a continuidade da CPMI levanta questionamentos entre parlamentares da oposição, que veem na medida uma forma de blindagem institucional contra investigações que poderiam expor detalhes da rotina de magistrados em aviões particulares.