O Banco Central do Brasil determinou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição financeira conhecida como Will Bank, que fazia parte do conglomerado controlado pelo Banco Master. A decisão encerra formalmente as atividades do banco digital e integra uma série de medidas adotadas pelo regulador para lidar com a deterioração financeira do grupo.
O Banco Central explicou que a liquidação se tornou necessária em razão da insolvência da Will Financeira e do comprometimento de sua situação econômico-financeira, agravados pela forte ligação com o Banco Master, cuja liquidação extrajudicial havia sido decretada em novembro de 2025. A instituição operava sob um Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde então, enquanto o regulador avaliava alternativas para preservar a operação.
Entre os fatores que influenciaram a decisão está o fato de o Will Bank ter deixado de honrar compromissos com sua parceira de processamento de cartões, a Mastercard, que acabou suspendendo a aceitação dos produtos da instituição por descumprimentos em seus pagamentos. Com isso, o Banco Central considerou que não havia mais condições de manter a atividade do banco.
A liquidação extrajudicial implica a saída definitiva da Will Financeira do SFN e a nomeação de um liquidante para administrar os ativos e passivos remanescentes da instituição. A autoridade monetária designou o técnico Eduardo Félix Bianchini para conduzir o processo, que inclui a avaliação de bens, dívidas e possíveis vendas de ativos.
A medida também prevê a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-controladores da Will Financeira, como parte das ações que buscam resguardar recursos e permitir a recuperação de valores para credores. A autoridade monetária tem justificado essas ações pelo interesse público e pela necessidade de manter a estabilidade do sistema financeiro.
O caso do Will Bank faz parte de um conjunto de liquidações relacionadas ao caso Master, que já envolveu a saída de outras cinco instituições vinculadas ao banco principal nos últimos meses, como o próprio Banco Master, o Banco Master de Investimento, o Letsbank e a Reag Trust Distribuidora de Títulos.
Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deve entrar no processo de ressarcimento de correntistas e investidores, com cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, conforme regra vigente. Clientes e credores ainda aguardam orientação formal sobre os procedimentos para solicitar a garantia, que pode levar algumas semanas para ser operacionalizada.
A liquidação do Will Bank reforça o papel do Banco Central como regulador do sistema financeiro e marca um desfecho importante no longo processo de intervenção iniciado no grupo Master, que acumulou desafios de liquidez e preocupações regulatórias ao longo de sua trajetória no mercado.