A proposta aprovada estabelece que, a cada voto realizado na urna eletrônica, uma versão impressa seja gerada e depositada automaticamente em uma urna física lacrada. Esse mecanismo permitiria auditorias em caso de questionamentos sobre o resultado das eleições, funcionando como um respaldo físico para a apuração digital.
O argumento dos defensores
Parlamentares favoráveis afirmam que o voto impresso não substituiria a urna eletrônica, mas funcionaria como um sistema duplo de conferência. Para eles, essa medida ampliaria a confiança dos eleitores no processo eleitoral e reduziria as acusações de fraude, mesmo que nunca tenham sido comprovadas em larga escala desde a implantação das urnas.
Alguns senadores ressaltaram que países como a Alemanha, a Índia e o Canadá já utilizam mecanismos semelhantes de auditoria, o que, segundo eles, fortalece a transparência democrática.
As críticas à proposta
Por outro lado, especialistas em direito eleitoral e tecnologia da informação alertam que a medida pode gerar mais problemas do que soluções. O principal argumento é o custo: estima-se que a implementação do sistema exigiria bilhões de reais em investimentos para adaptar as urnas, além de gastos adicionais com transporte e armazenamento dos votos impressos.
Outro ponto de preocupação é a logística. O Brasil tem mais de 150 milhões de eleitores e centenas de milhares de seções eleitorais. Para críticos, a manipulação de cédulas físicas poderia abrir brechas para fraudes, justamente o que se pretende evitar, além de aumentar o tempo de apuração.
O histórico do debate
O tema não é novo. Em 2015, o Congresso chegou a aprovar o voto impresso, mas a medida foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018. Na ocasião, os ministros entenderam que a impressão do voto feria o princípio do sigilo e colocava em risco a segurança do sistema.
Desde então, propostas semelhantes voltaram a circular no Legislativo, quase sempre em meio a tensões políticas. A discussão ganhou ainda mais força nos últimos anos, quando líderes políticos passaram a questionar publicamente a credibilidade das urnas eletrônicas.
O que muda daqui para frente
Com a aprovação na CCJ, o texto agora segue para o plenário do Senado. Caso seja aprovado, precisará passar também pela Câmara dos Deputados antes de ser implementado. A expectativa é que o debate seja intenso, já que o tema divide partidos, especialistas e a sociedade civil.
Enquanto isso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforça que o atual sistema eletrônico é seguro, auditável e já passa por fiscalizações independentes. Segundo o TSE, mais de 20 testes públicos de segurança realizados desde 2002 comprovaram a confiabilidade das urnas.
O voto impresso auditável reacende uma das maiores polêmicas do processo eleitoral brasileiro. De um lado, a promessa de mais transparência. De outro, os riscos de custos elevados, dificuldades logísticas e questionamentos jurídicos. A decisão final caberá ao Congresso, mas já é certo que o tema continuará dividindo opiniões no país.